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Fonte Q

Fonte Q

Fonte Q

Nunca foi encontrado nenhum texto da fonte Q. Aqui já tempos um primeiro problema: ela existe?  Ora, há muita semelhança entre Marcos e Lucas que não é comum em Marcos. Isso fez os estudiosos suporem que existiu uma fonte Q segundo a qual Lucas e Marcos teriam se inspirado.

O estudo dos evangelhos começou na Modernidade. Frente às semelhanças e diferenças entre os sinóticos, levantou-se a hipóteses da origem (fonte) das diferenças e semelhanças. No ano de 1907 Adolf von Harnack pesquisou os “ditos de Jesus” com o objetivo de resgatar elementos religiosos e éticos. Em 1972 Siegfried Schulz diz que Q é a fonte dos ditos de Jesus. As pesquisas mais atuais procuram reconstruir essa fonte em sua versão original. Essa fonte sempre foi grega (e não aramaica).

Mateus e Lucas compartilham ideias básicas, mesmas palavra e sequência de ditos semelhantes. Isso sugere que tiveram a mesma fonte, além de Marcos. Segundo hipóteses, a fonte Q surge na Galileia, foi composto provavelmente em 40 a.C escrito por escribas notáveis das aldeias e vilas ao redor do lago de Genesaré (Cafarnaum, Betsaida, Corozaim).

Os primeiros escritos sobre Jesus foi escrito por Paulo em 1Ts (provavelmente nos anos 51), depois tem-se essa fonte Q e somente nos anos 70 aparece o evangelho de Marcos. Mateus e Lucas surgem mais ou menos nos anos 80 e João dez anos depois. Isso faz-nos concluir que essa fonte Q é um dos escritos mais antigos do Cristianismo Primitivo.

Conteúdos

O conteúdo da fonte Q, provavelmente era, ditos de Jesus, discursos sobre o reino, sobre o filho do homem como ser humano, preceitos éticos para o cotidiano. Não de fala dos milagres, da paixão-morte e ressurreição de Jesus. Neste sentido, é parecida com o evangelho de Tomé. Na fonte Q não há referência ao Templo de Jerusalém, tampouco discussões sobre a Torá ou de títulos cristológicos. O tema do reino de Deus tem um caráter não futurístico, mas diz respeito ao agora, há propostas alternativas para o presente e elas são direcionadas aos pobres e necessitados materialmente.

O núcleo da fonte que é o estilo sapiencial e apocalíptico, numa ênfase em separar os que são e os que não são de Deus. No final da fonte sugere o entendimento da vinda de Jesus no futuro. Nessa fonte, os seguidores de Jesus são como ovelhas enviadas entre os lobos, viajam de aldeia em aldeia encontrando acolhida na boa vontade dos outros. Sugere a nova prática: amar os inimigos. Trata-se de uma ética da resistência. O reino é como semente de mostarda (Lc 13, 18-21), já presente (Lc 10,9), que deve ser pedido na oração (Lc 11,2). A boa notícia, na fonte Q, é dirigida para os pobres (Lc 6,20) que devem viver num clima de família, de igualdade e ajuda mútua (Lc 11, 27-28; Mt 23,8-13).

A fonte Q sugere não só um movimento religioso, mas também um movimento popular na Galileia que procurava a libertação de Israel, opondo-se às instituições de dominação. Do ponto de vista cristológico, nessa fonte, Jesus Cristo aparece como profeta, sabedoria e Filho do homem. Procurava a libertação de Israel e criticava as autoridades de Jerusalém. Os ditos de Jesus sustentavam a comunidade de discípulos nos momentos de conflitos e perseguição.

John S. Sloppemborg afirma que a fonte Q tem três etapas com gêneros literários distintos: uma coleção como instrução, outra com pronunciamentos de cunho profético, desafiador e polêmico e uma última coleção que fala da memória biográfica de Jesus. O pano de fundo é a unidade literária e a manutenção da diversidade teológica.

Gerd Thiessen irá dizer que Jesus propõe um radicalismo itinerante. A fonte Q sugere que o discípulo: livre-se da família, viva sem teto, abstenham-se das normas comuns de limpeza, vistam-se de modo simples, mendigando e vivendo contra a corrente.

R. A. Horsley critica Thiessen dizendo que a proposta de Jesus é uma alternativa para promover o reino de Deus. Dai a necessidade do radicalismo, por parte dos seus seguidores, da generosidade, gratuidade nas relações, na anulação das dívidas, o amor aos inimigos, o perdão e o acordo prevalecendo sobre as disputas. No fundo, esse autor defende que a Fonte Q propõe uma prática nova.

Estratos da Fonte Q:

Sapiencial: mais antigo

Proféticos: revela os ditos apocalíptico

Tentação de Jesus: com linguagem mais descritiva.

 

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Sival Soares, em 29 de abril de 2011




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